Convocatória 58

SINÉCTICA

Convocatória do número 58 (janeiro-julho do 2022)

Tema:

Ambientes híbridos de aprendizagem: desafios e possibilidades além da pandemia*

Data limite de recepção:: 30 de junho de 2021

 

Coordenadores deste número:

Dr. Cristóbal Suárez-Guerrero

(Universitat de València, Espanha)

Dra. Liliana Guadalupe García Ruvalcaba

(ITESO, México)

A definição mais ampla de educação híbrida é a articulação de oportunidades de aprendizagem que combinam tanto as tradições de sala de aula quanto as digitais. Entretanto, este guarda-chuva conceitual é muito geral, já que as nuances da noção de ambiente de aprendizagem híbrido são tão diversas quanto as necessidades educacionais que as geram e as abordagens ou projetos com os quais são buscadas para serem implementadas.

Não se trata apenas de pensar em educação + internet, mas de entender um processo educacional que integra elementos de natureza diferente dentro de um mesmo ambiente. Como Floridi (2015) argumenta, as tecnologias de informação e comunicação delimitam ambientes que afetam, entre outros aspectos, nosso autoconceito, nossa percepção da realidade e as interações derivadas da mesma. A Internet desenha um ambiente de ação e representação onde as pessoas vivem e aprendem, que combina, se sobrepõe ou híbrido com outros ambientes educacionais clássicos. De acordo com Wegerif (2013), este seria um dos maiores impactos da Internet sobre a educação: ter embaçado os limites da educação. Assim, é urgente responder à demanda pedagógica de compreensão, análise e valorização das oportunidades e dilemas que a tecnologia digital abre diante da iminente construção do aprendizado híbrido.

A educação híbrida, entendida como um sistema que apóia a experiência de ensino e aprendizagem integrando a dimensão física (espaço, equipamentos e infra-estrutura), a dimensão social (relações e interação entre os participantes) e a dimensão virtual (uso de tecnologias de informação e comunicação), responde à importância da renovação dos sistemas educacionais em termos de suas limitações e inércia, e se mostra uma grande oportunidade para tornar a experiência de aprendizagem mais flexível com base em interesses particulares, necessidades, contextos e tendenciosidades.

Especialmente em tempos de pandemia, a discussão sobre educação mediada tecnologicamente se intensificou. O significado da educação tradicional está sendo questionado e as limitações da transferência mecânica de práticas presenciais para ambientes virtuais têm sido destacadas, bem como os dilemas e desafios envolvidos na construção de modelos que integram ambientes digitais e presenciais para a geração de experiências de aprendizagem significativas e relevantes, capazes de capacitar as pessoas a continuar aprendendo ao longo de suas vidas. A passagem forçada do ensino presencial para o ensino virtual, no que tem sido chamado de ensino remoto de emergência, destacou a necessidade de transcender suas limitações a fim de avançar em direção a ambientes híbridos que capitalizem o que tem sido aprendido e aproveitem o melhor dos dois mundos (Pardo e Cobo, 2020).

Os ambientes de aprendizagem híbridos permitem reconfigurar os processos de comunicação e interação educacional através do uso da tecnologia, mas isto é apenas uma parte dela. Para conceber um ambiente híbrido, uma experiência de aprendizagem ampliada em rede, é sempre necessária uma leitura pedagógica que articule de forma holística o sentido educativo da variável tecnológica, que é cada vez mais importante, mas parcial, do fato educativo (Gros e Suárez-Guerrero, 2016). Daí a necessidade de conhecer as estruturas, as práticas existentes e o que elas produzem, a partir de uma visão ampla, complexa, crítica e rigorosa.

Assumindo que a pandemia COVID-19 levou a uma situação educacional sem precedentes em nível global (Garcia, 2021), muitos sistemas, agências e instituições educacionais optaram por tornar seus processos mais flexíveis a fim de continuar fornecendo serviços educacionais a suas populações. Como os ambientes híbridos foram projetados, gerenciados e validados para atender às necessidades educacionais geradas em tempos de pandemia, e qual é o impacto sócio-educativo desses ambientes no aprendizado e na cultura escolar? Que possibilidades e dilemas eles apresentam em diferentes níveis educacionais, que impacto as tecnologias têm na gestão da aprendizagem nesses ambientes, que modelos têm operado e dado origem a ambientes híbridos de aprendizagem, qual é o futuro dos modelos híbridos pós-pandêmicos, ou que modelos emergentes de educação estão sendo validados para abordar a educação diante de futuras pandemias são algumas das questões abordadas nesta edição da Sinectica.

Num momento em que as práticas de ensino estão sendo questionadas e novos desafios estão surgindo, pesquisadores, críticos e estudiosos de ambientes híbridos de aprendizagem são chamados a compartilhar, através de trabalhos teóricos e empíricos, os resultados de suas pesquisas. O reconhecimento de problemas, desafios e possibilidades de transformação das práticas educacionais e de aprendizagem atuais levará à projeção de práticas futuras.

O número 58 destina-se a contribuir para este esforço explicativo a partir de focos específicos que podem ser levantados através de qualquer um dos seguintes tópicos específicos:

  • Pedagogia de ambientes híbridos de aprendizagem
  • Modelos de hibridização de aprendizagem
  • Necessidades educacionais e cuidados através de ambientes híbridos
  • Participação e reconfiguração de atores educacionais em ambientes híbridos de aprendizagem
  • Novas ecologias de aprendizagem e educação ampliada
  • Aprendizagem e networking
  • Redes e comunidades de aprendizagem mediadas tecnologicamente
  • Ambientes híbridos para treinamento vocacional
  • Inovação pedagógica em ambientes híbridos de aprendizagem
  • Gestão escolar e cultura na hibridização do aprendizado
  • Projeto de ambientes híbridos de aprendizagem
  • Conteúdo educacional em educação híbrida
  • Recursos para Ambientes Híbridos de Aprendizagem
  • Avaliação da aprendizagem em ambientes híbridos
  • Treinamento de professores e competência para ambientes híbridos de aprendizagem
  • Curriculum e modelos híbridos
  • Modelos emergentes para aprendizagem em tempos de pandemia e pós-pandemia
  • Inteligência artificial e análise da aprendizagem na educação híbrida
  • Políticas públicas para educação híbrida

Palavras-chave:

Aprendizagem, educação híbrida, ambientes híbridos de aprendizagem

 

Referências bibliográficas:

Floridi, L. (ed.) (2015). The onlife manifesto: Being human in a hyperconnected era. Springer Nature.

García Aretio, L. (2021). COVID-19 y educación a distancia digital: preconfinamiento, confinamiento y posconfinamiento. RIED. Revista Iberoamericana de Educación a Distancia, vol. 24, núm. 1, pp. 09-32. http://dx.doi.org/10.5944/ried.24.1.28080

Gros, B. y Suárez-Guerrero, C. (eds.) (2016). Pedagogía Red. Una educación para tiempos de internet. Barcelona: Editorial Octaedro.

Pardo, H. y Cobo, C. (2020). Expandir la universidad más allá de la enseñanza remota de emergencia. Ideas hacia un modelo híbrido post-pandemia. Barcelona: Outliers School.

Wegerif, R. (2013). Dialogic education for the internet age. Obtido de http://www.rupertwegerif.name/uploads/4/3/2/7/43271253/deiaproofs24thoct12.pdf

 

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